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Quanto Custa Realmente um Colaborador à Empresa?

Quanto Custa Realmente um Colaborador à Empresa?

Quando uma empresa decide contratar um novo colaborador, a primeira pergunta costuma ser: “Qual será o salário?”. No entanto, o salário é apenas uma parte do investimento que a empresa faz num recurso humano.

Para tomar decisões informadas, é fundamental compreender o custo real de um colaborador e conhecer os apoios e incentivos que podem reduzir esse encargo.

O Salário Não Conta Toda a História

Suponhamos que uma empresa pretende contratar um colaborador com um salário bruto mensal de 1.200€.

À primeira vista, muitos empresários assumem que este será o custo da contratação. Contudo, existem outros encargos obrigatórios e custos indiretos que devem ser considerados.

Exemplo Prático

Salário Bruto Mensal: 1.200€

Encargos para a empresa:

  • Salário bruto: 1.200€
  • Taxa Social Única (23,75%): 285€
  • Subsídio de Natal (provisão mensal): 100€
  • Subsídio de Férias (provisão mensal): 100€

Custo mensal estimado: 1.685€

Ou seja, um colaborador com um salário bruto de 1.200€ pode representar um custo anual superior a 20.000€ para a empresa.

E este valor ainda não inclui outros custos associados.

Custos Muitas Vezes Esquecidos

Além dos encargos obrigatórios, existem despesas que frequentemente não são consideradas no momento da contratação:

Formação e Integração

Um novo colaborador necessita de tempo para aprender processos, conhecer clientes e adaptar-se à cultura da empresa.

Durante os primeiros meses, a produtividade tende a ser inferior ao potencial esperado.

Equipamentos e Ferramentas

Dependendo da função, a empresa poderá ter de disponibilizar:

  • Computador;
  • Telemóvel;
  • Software;
  • Equipamentos de proteção;
  • Viatura;
  • Material de trabalho.

Espaço e Infraestrutura

Cada colaborador gera custos indiretos relacionados com:

  • Energia;
  • Internet;
  • Escritório;
  • Limpeza;
  • Seguros;
  • Serviços administrativos.

Ausências e Férias

As férias, feriados, baixas médicas e outras ausências fazem parte da gestão normal dos recursos humanos e devem ser consideradas no planeamento dos custos.

Quanto Deve Produzir um Colaborador?

Uma questão mais importante do que o custo é perceber qual o valor que o colaborador gera para a empresa.

Por exemplo:

Se um colaborador custa 20.000€ por ano, dificilmente será sustentável que produza apenas esse mesmo valor.

A empresa necessita de gerar margem suficiente para suportar:

  • Estrutura;
  • Investimentos;
  • Impostos;
  • Riscos;
  • Lucro.

Por essa razão, muitas organizações utilizam como referência que um colaborador deve gerar várias vezes o seu custo anual, dependendo do setor de atividade.

Benefícios e Incentivos à Contratação

Apesar dos custos associados, existem diversos mecanismos que podem reduzir o impacto financeiro da contratação.

Incentivos à Contratação

Em determinados períodos, o Estado disponibiliza apoios financeiros para empresas que criam novos postos de trabalho, especialmente para:

  • Jovens à procura do primeiro emprego;
  • Desempregados de longa duração;
  • Pessoas com deficiência;
  • Grupos com maior dificuldade de integração no mercado de trabalho.

Estágios Profissionais

Os programas de estágio permitem às empresas integrar novos talentos com comparticipação de parte dos custos.

Além da redução do investimento inicial, constituem uma excelente forma de avaliar potenciais colaboradores.

Apoios à Formação

Existem programas que financiam ações de formação e qualificação profissional, contribuindo para o aumento da produtividade sem suportar integralmente os custos.

Benefícios Fiscais

Dependendo da localização, dimensão da empresa e setor de atividade, podem existir benefícios fiscais associados à criação de emprego ou ao investimento em recursos humanos.

A Contratação Deve Ser Vista Como Investimento

Contratar não deve ser encarado apenas como uma despesa.

Um colaborador qualificado pode:

  • Aumentar as vendas;
  • Melhorar a produtividade;
  • Reduzir erros;
  • Libertar tempo da gestão;
  • Melhorar o serviço ao cliente;
  • Criar novas oportunidades de crescimento.

O segredo está em garantir que existe um plano claro para que a função gere valor superior ao custo associado.

Conclusão

O custo real de um colaborador vai muito além do salário mensal. Encargos sociais, subsídios, equipamentos, formação e custos indiretos podem aumentar significativamente o investimento da empresa.

No entanto, quando a contratação é planeada de forma estratégica e aproveitando os incentivos disponíveis, um colaborador deixa de ser apenas um custo para se tornar um dos principais motores de crescimento do negócio.

Antes de contratar, não pergunte apenas “quanto vai custar”. Pergunte também: “quanto valor poderá gerar para a empresa?”.

 

Exemplos de Quanto Custa um Colaborador à Empresa

Os exemplos seguintes consideram:

  • Salário bruto mensal;
  • Taxa Social Única (23,75%);
  • Subsídio de Férias;
  • Subsídio de Natal;
  • Subsídio de alimentação (132€/mês);
  • Seguro de acidentes de trabalho (20€/mês);
  • Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho (15€/mês).

 

 

 

Salário Bruto

TSU

Subsídios Férias e Natal

Alimentação

Seguro + SST

Custo Mensal Total

1.000€

237,50€

166,67€

132€

35€

1.571€

1.250€

296,88€

208,33€

132€

35€

1.922€

1.500€

356,25€

250,00€

132€

35€

2.273€

2.000€

475,00€

333,33€

132€

35€

2.975€

Qual o Custo Anual?

Salário Bruto

Custo Anual Aproximado

1.000€

18.852€

1.250€

23.064€

1.500€

27.276€

Estes valores representam uma estimativa conservadora. Dependendo da atividade da empresa, podem existir custos adicionais relacionados com:

  • Formação obrigatória;
  • Equipamentos informáticos;
  • Licenças de software;
  • Fardamento;
  • Viaturas;
  • Telecomunicações;
  • Planos de saúde;
  • Prémios e incentivos.

Por esse motivo, muitos gestores utilizam uma regra simples: o custo real de um colaborador pode situar-se entre 1,6 e 2 vezes o valor do salário bruto mensal.

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